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Abaixo nosso colunista escreveu um artigo de como abrir uma trilha sem prejudicar o meio ambiente e também como se prevenir para que as pessoas possam fazê-lo sem se preocupar com os perigos
O planejamento impróprio, ou às vezes a falta deste, aumentam os custos de construção e manutenção das trilhas e, na maioria das vezes, resulta em impactos ambientais indesejáveis. Além das questões ambientais devem ser levadas em conta as considerações sociais para o planejamento, construção e manejo de trilhas, além da análise dos perigos e riscos envolvidos.
Segundo LACHENER (2006), no planejamento devemos fazer uma abordagem integrada, ou seja, Planejar, Construir, Monitorar, Manter e Replanejar e, se preciso, reconstruir, monitorar, manter e novamente planejar.
Para um percurso inédito a ser aberto devemos avaliar o local planejado e o melhor desenho da trilha e, ao abri-lo, identificar os impactos negativos e adotar medidas mitigatórias e compensatórias. As mitigatórias devem ser aplicadas na abertura, como, por exemplo, escolhendo o melhor traçado, realizando medidas de controle de erosão para diminuir o fluxo de água pluvial e o conseqüente deslocamento de solo. Para compensar os impactos decorrentes da construção e usos que se derem às trilhas, medidas compensatórias devem ser aplicadas em outros locais com ações de compensação, como por exemplo, plantio de espécies nativas visando a recuperação florestal de área degrada, ou através da manutenção de uma área preservada, além das previstas em lei como as reservas legais, ou na recuperação, ou ainda promovendo limpezas (despoluição) do entorno. Todas estas ações devem ser disponibilizadas e informadas aos usuários, através de palestras ou painéis informativos, para que estes saibam que os impactos negativos advindos da abertura e uso das trilhas, bem como seus efeitos de borda, foram minimizados e estão sendo compensados.
Não se pode esquecer dos impactos negativos que a abertura de novas trilhas causam nas comunidades locais, sendo necessário uma integração dos usuários com essas comunidades, a fim de minimizar e compensar também estes impactos.
Sendo estas trilhas abertas em áreas particulares ou do bem comum, como é o caso das Unidades de Conservação (UC) e Áreas de Preservação Permanente (APP), estas devem ter como premissa um estudo do impacto ambiental (EIA), bem como o relatório dos impactos ambientais (RIMA), necessários para o devido licenciamento ambiental.
Ao se planejar um percurso em trilhas já existentes, além de prever os impactos negativos, deve-se valorar os perigos e riscos, identificando áreas prioritárias que necessitam de manutenção preventiva e/ou corretiva. Levando-se em conta que estas trilhas podem estar em área privada ou em áreas públicas, conservadas pelo estado, é necessário respeitar os regulamentos existentes e colaborar com campanhas de manutenção e conservação.
Com relação ao manejo, as melhores práticas sugerem que este deve ser dimensionado de acordo com o objetivo da trilha, bem como extensão, dificuldades e riscos, sendo que a principal preocupação deve ser quanto à limitação do número de visitantes, para que a experiência na natureza seja a melhor possível, reduzindo o número de visitantes por grupo e criando intervalos entre estes, evitando assim aglomerações e encontros indesejáveis, que acabam impactando as bordas da trilha e estressando e afugentado a fauna.
Com a diminuição do número de indivíduos por grupo, a experiência na natureza será mais gratificante e melhor assimilada, propiciando assim uma sensibilização, essencial para a conscientização ecológica.
O que normalmente acontece é o uso desordenado da natureza, onde presenciamos grupos de amigos, e até mesmo empresas, levando grupos sem a mínima preocupação com os impactos negativos decorrentes do pisoteio excessivo das bordas nos desvios de poças de água, compactação do solo, abandono de resíduos e, quando não acontece o pior, como foi o caso do incêndio causado na parte alta do Parque Nacional de Itatiaia em 2001, no qual foram queimados 1200 hectares de vegetação em área de preservação permanente, proveniente de descuido de um visitante perdido, que ateou fogo com o folheto do parque para ser encontrado. Detalhe: no folheto dizia “Não faça fogo”.
Ao se planejar uma operação comercial, todos os detalhes devem ser observados e avaliados. Tais detalhes fazem parte do planejamento logístico que o percurso deve levar em conta, que pode ser curto (de um dia) ou longo (envolvendo pernoite) e ainda o desnível, atrelado ao ambiente em que vai ser praticada a operação (se planície costeira, montanhas, floresta densa, cerrado, caatinga, etc.).
As caminhadas de curto percurso podem levar de 1 a 8 horas, e as de longo percurso, também chamadas de travessias, podem ser de 2 dias ou semanas. Em ambas, além do roteiro, deve-se avaliar os perigos e riscos, planejar as rotas de fuga e acessos, definir planos de contingência. Isto, porque toda atividade na natureza envolve riscos: os subjetivos, que dependem dos conhecimentos e equipamentos dos praticantes, e os objetivos, que estão na natureza e não temos como evitar, os quais, porém, precisamos conhecê-los e minimizá-los, incluindo os possíveis danos resultantes.
As trilhas podem também ser classificadas em abertas (sem restrições de uso) e controladas (por proprietário privado ou pelo Estado); em ambas deve-se adotar os princípios de mínimo impacto, que fazem parte do Programa de Conduta Consciente em Ambientes Naturais, do Ministério do Meio Ambiente, que preconizam:
>> Realizar o planejamento da atividade;
>> Tomar os cuidados necessários com a sua segurança e dos visitantes;
>> Verificar a capacidade de suporte das trilhas e áreas de acampamento;
>> Garantir o retorno dos resíduos gerados encaminhando-os à reciclagem;
>> Não alterar o ambiente ou trazer lembranças;
>> Evitar fogueiras;
>> Respeitar e proteger animais e plantas;
>> Ser cortês com outros visitantes e principalmente com a população local.
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Uso desordenado, de altíssimo impacto ambiental e com risco de segurança
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