A definição do termo “mochileiro”
O turismo mochileiro, ou backpacking tourism, como é conhecido mundialmente, será abordado aqui na BAS em diversas colunas que pretendem elucidar todas as dimensões deste tipo de turismo amplamente presente no exterior e ainda pouco difundido no Brasil

O termo “mochileiro” é a tradução livre de backpacker e caracteriza o segmento dos viajantes que utilizam grandes mochilas para viajar. Os mochileiros aparentam ser um grupo homogêneo, mas hoje em dia é possível perceber subdivisões do segmento, devido ao dinamismo do fenômeno, que acompanha as mudanças locais e globais.

Nessa primeira coluna falaremos dos mochileiros tradicionais, aqueles que possuem a cultura mochileira original.

A maioria dos mochileiros tem entre 18 e 33 anos, mas é mais visível a presença de mochileiros entre 22 e 27 anos. Os tradicionais podem ser jovens que viajam por longos períodos antes de iniciar o estudo superior e adultos que buscam uma oportunidade para realizar uma longa viagem aproveitando a transição entre empregos.

Para os jovens de alguns países esse hábito é tão comum, que recebe denominação específica: no Reino Unido é chamado de Gap Year (parada de um ano); na Austrália e na Nova Zelândia, de Big O.E., termo usado para overseas experience (experiência além-mar), e em Israel é praticada por cerca de 50 mil jovens por ano e é denominado Big Trip (grande viagem).

Os mochileiros tradicionais viajam de forma independente, sem a utilização de agências emissivas, portanto, planejam todas as etapas
da viagem e tem total liberdade para alterar o itinerário a qualquer momento.

Esse grupo procura dissociar-se dos turistas de massa, agir diferentemente deles, ficar fora das veredas batidas por eles, se possível ir a lugares inexplorados turisticamente, interagir com os nativos e outros mochileiros, alojar-se conforme os hábitos locais e utilizar-se dos meios de transporte comuns à população. Procuram, em alguns casos, até mesmo o desconforto para ter uma experiência marcante e inusitada. Dessa forma buscam viagens experienciais que sejam de alguma forma fonte de conhecimentos e de crescimento pessoal.

Para aumentar as possibilidades de aprendizagem e de experiências, os  mochileiros  tradicionais  se  informam  previamente  sobre  os aspectos históricos e culturais do local a ser visitado, para ter mais subsídios para compreender o destino e seu povo quando estiver viajando.

Eles consideram que a viagem “real” só é possível quando em contato com a realidade do local por períodos extensos, por isso economizam o máximo possível para realizar uma prolongada jornada, contada em meses ao invés de dias.

Utilizam serviços econômicos de alimentação, de meios de transporte e de acomodações mais por opção do que por limitação financeira, embora isso também ocorra.

Eles costumam viajar sozinhos ou com apenas um acompanhante, mas não descartam a possibilidade de conhecer outros mochileiros durante a viagem e continuar a jornada inteira ou parte dela com as novas companhias, pois consideram que trocar experiências com outros viajantes faz parte da viagem.

Para eles, viajar entre cidades, e principalmente entre países, por vias terrestres ao invés de aérea é um dos grandes atrativos da viagem. Quanto mais longo o trecho e quanto mais rústico o meio de transporte, mais conhecem o país e o povo. Esses deslocamentos ocupam boa parte dos dias da jornada deles e geram “desvios de rota” que permitem experiências únicas.

Existe entre os mochileiros tradicionais uma característica interessante, o road status, que é algo como o “currículo” do mochileiro e é “obtido” ao pagar o preço local (ao invés do preço praticado para os turistas) através da pechincha, ao viajar fora da rota comum do turismo, ao viajar por tempo prolongado, ao ter experiências inusitadas, ao viajar por terra ao invés de avião e ao economizar com alimentação e hospedagem o máximo possível para estender o tempo de viagem.

Outra característica é “demonstrar” experiência através do uso de roupas, mochilas e equipamentos com a aparência de velhos, e da adaptação e criação de equipamentos e acessórios utilizados na viagem.

Devido à realidade econômica brasileira e fatores culturais, embora não haja diferenciações de categoria no Brasil, encontram-se poucos mochileiros tradicionais e mais mochileiros de outras subdivisões, que explicaremos na próxima coluna.

Acesse: www.jdsawaki.wordpress.com

Turismo Mochileiro - Douglas e Júlia Sawaki
Turismo Mochileiro - Douglas e Júlia Sawaki  
Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Douglas Eigi Sawaki e Júlia Flores Hüller Sawaki são mochileiros e futuros turismólogos. Eles unem a teoria acadêmica e a prática como viajantes para difundir a cultura mochileira e desenvolver o backpacking tourism no Brasil através de projetos, estudos científicos, palestras, exposições fotográficas e relatos de viagem.
 




 
Rua Augusto Ribeiro, n°20 - Campo Belo - São Paulo - Sp - Cep:04614-020 - Fone: 55 11 5021 3858

Desenvolvido por WebSocorro Internet & Multimidia